

Francisco Sousa
Vencedor classificado em nono colocado no Concurso Literário Caneta Vip
Menino dos quintais e invenções
Quando menino no espreitar do sol da manhã
Contava as nuvens imaginando coisas fantásticas
E encontrava fórmulas escondidas no coração
Ainda tinha medos, mas sentia na infância o sabor de cada emoção.
Eu tirava da vida, como o mágico saca da cartola um objeto
Eu contornava estradas tão longínquas no meu quintal
E suspirava com um voo de um pássaro e sua canção
Depois fechava os olhos para sentir a brisa e deixar correr a imaginação.
As minhas palavras no caderno ainda eram frágeis e tortas
Então eu criava no pensamento a profundidade de ser além de existir
Referenciava a voz das árvores e suas sombras no chão
Conversava com as formigas e fazia um momento de reflexão.
Era embebido pelo poder de lutar avidamente
De ter coragem de ser o que eu era sem distinção
Na copa da árvore eu era rei e não tinha reclamação
Não sabia o que era rima, mas juntava palavras com entonação.
Encontrava soluções fiéis para cada formulação
Nomeava espaços do meu jeito, nos reflexos do cacimbão
Nas pontas dos pés via a vida com palavras de união
Era inesperado o meu contar de ideias de sim ou não.
Unido pelos zumbido dos mosquitos eu coloria o mundo
Eu não usava lápis de cor, eu amava mesmo era as palavras
Saltavam das pedras o brilho e o infinito de cada emoção
Um orvalho sem a necessidade de buscar uma correta direção.
Eram tão meus os poemas que escrevia sem qualquer pretensão
Que as manhãs eram longas e as estrofes escorriam no sol
Os sonhos eram completamente extensos e ninguém dizia: “Em vão”
Cabia tudo que eu queria sem deixar voar nenhuma expressão.
Os outros quando me viam unir palavras, diziam: Quanta locura!
E eu não falava sozinho, eu me abraçava com a poesia do mundo
Eu só não sabia nomear igual os outros a minha invenção
Menino de cinco anos encontrava na natureza a minha inspiração.
Talvez a rima fosse pequena, mas era tão sincero e puro meu coração
Cada coisa era além do nome dos outros, tinha a companhia do meu olhar
A minha arte com a natureza, um universo, num decreto de composição
Eu insistia naquela existência, que era meu abrigo, refúgio e consolação.
Depois, com o tempo, descobri o que eram as minhas faltas
Mas driblava com palavras que me recobriam de vida e lição
Um dia minha mãe conheceu essas palavras e foi grande a empolgação
E dizia com felicidade: Você sempre foi poeta, a tua palavra é emoção.
Eu cresci não desperdiçando o mundo, cada canto virou meu quintal
Cada folha virou a beleza e a resistência do que poucos percebem ou enxergam
E assim fui conhecendo mundos, expandindo, crescendo sem limitação
Sou o mesmo menino de invenção, ilustrando poesia da alma sem definição.

Minibiografia


Francisco Sousa é natural de Camocim, no Ceará. Graduado em Letras pela UFC e especialista em Gestão pela UECE, professor de Língua Portuguesa da rede estadual de ensino do Ceará e um apaixonado pela beleza da poesia.
