David Ehrlich

David Ehrlich

Vencedor classificado em décimo colocado no Concurso Literário Caneta Vip

O Caso do Caça-Palavras

Entre os causos que ocorreram
Na pacata Boa Vista,
Poucos deles transcorreram
Numa área tão bem-quista
Quanto onde se sucederam
Os que conta este humorista:

Numa certa faculdade
Muitíssimo respeitada
Entre o povo da cidade,
Foi numa tarde aplicada,
E com naturalidade,
Uma prova complicada.

Complicada, não difícil,
Os dois têm suas diferenças:
A tal prova foi bem fácil,
Só que trouxe desavenças
Entre a juventude indócil
E um professor com suas crenças.

Isso porque consistia
De um caça-palavras bobo,
Que ninguém esperaria,
Em nenhum lugar do globo,
Que alguém são aplicaria,
Por parecer até roubo.

Muito menos em um curso
Que se diz ser de direito,
Onde se entra com recurso
Por qualquer ultraje feito,
Tanto faz se fez concurso
Ou se pra lábia tem jeito!

“Perda de conhecimento”,
Foi o lamento geral,
Porém o acontecimento,
Disse o juiz federal
Que aplicou o constrangimento,
Era piada legal.

A presença é que importava
Pra passar no curso dado.
Se alguém a prova acertava
Ou se respondia errado,
O juiz pouco ligava:
Não podia ter faltado.

Mesmo com reclamações,
Nada dava pra fazer;
Nas regulamentações
Qualquer um podia ler:
O juiz e suas ações
Tinham legal parecer.

Se existe aqui uma lição,
Honestamente eu não sei,
Mas tal foi a situação
Conforme aqui te contei,
E digo de coração
Que a li, ri, e me engasguei!

Minibiografia

David Ehrlich nasceu na cidade de Detmold, Alemanha, em 18/03/1996, e lá passou os primeiros dois anos de vida. Suas experiências mais importantes, porém, foram colhidas em Curitiba, onde mora. Formou-se em Jornalismo pela UFPR, fez pós-graduação em Narrativas Visuais na UTFPR e atualmente trabalha como avaliador de dados. É fascinado pelo fantástico mundo das artes, e em especial a literatura, em que sente maior liberdade. Prosador e poeta, escreve desde 2016, e teve textos selecionados em mais de 150 concursos, tendo já sido publicado em antologias, e-books, portais de internet, revistas e zines. Foi vencedor no 2º Concurso Literário Emídio de Souza (2023) com o conto “O Prisioneiro Mais Velho” e no Concurso de Poesias de Campo Mourão (2024) com o poema “Quem Vem, Não Consegue Esquecer”. Lançou ainda as coletâneas de contos “O Livro do Macabro” (2024), pela editora Folheando, e “Família é Família” (2025), pela editora Mondru.